Pois é amigo leitor, ele também existe e cresce a cada dia. Segundo as últimas pesquisas de endividamento, uma delas feita pela Fecomércio – Federação do Comércio, 46% das famílias paulistanas, e segundo pesquisa da Serasa dobrou de 4% para 8% a quantidade de jovens endividados com menos de 20 anos. Esta forma de analfabetismo atinge até mesmo os países mais desenvolvidos, fato que pudemos presenciar em outubro de 2008 com a crise americana. O grande problema é que uma parcela significativa da população é incapaz de gerir suas contas. Independente do grau de instrução, muitas pessoas simplesmente não apreciam a importância do planejamento financeiro.
No Brasil, pode-se dizer que existe uma herança claramente negativa do período hiperinflacionário. Isso porque, diante de uma inflação mensal que chegou a superar 50%, o planejamento financeiro de longo prazo se tornava impossível. Como hoje temos uma inflação extremamente mais baixa e até podemos ousar a dizer controlada, torna-se possível planejar o futuro.
Se você faz parte deste grupo de pessoas, está na hora de investir na sua educação. Assim como em qualquer outra área de ensino, o planejamento financeiro exige treinamento. Entendo que enquanto não dermos prioridade para esse tema, jamais seremos capazes de quebrar esse ciclo de endividamento que passa e cresce a cada geração.
O cerne da questão é que as pessoas gastam sem ter recebido, ou seja, mal sabe quanto receberá de salário, e esse já está totalmente comprometido com compras parceladas, juros bancários, dentre outros. Portanto, calcular o quanto receberá de salário é fundamental. Pensando nisso, aí vai uma valiosa dica para quem nunca parou para pensar nisso.
Entenda seu holerite
Você entende bem o recebimento do seu salário? Se a sua remuneração hoje é de R$ 2 mil, isso não significa que esse dinheiro estará efetivamente na sua conta bancária todo mês. Já parou para analisar os descontos? Lembre-se: o valor que lhe interessa, no orçamento, é o salário líquido.
Faça um teste. Respondendo às questões abaixo, você conseguirá saber o quanto conhece da sua própria receita!
• qual é o seu salário bruto (antes da incidência dos impostos e das contribuições)?
• quais os descontos que aparecem no seu holerite?
• que período de pagamento o seu contracheque cobre (duração do salário em dias)?
• quanto, do seu salário bruto, você deduz para pagamento de um plano de aposentadoria?
• qual o valor atual do seu salário líquido?
• quanto você estima receber (em salários) anualmente?
• Quanto de seu salário é destinado para o pagamento de dívidas?
Importante Lembrar: só coloque na "lista" o que efetivamente você receber - uma estimativa de bonificação ou a possibilidade de receber comissão por um serviço não deve ser considerada. Afinal, ela pode não vir e contar com o dinheiro antes da hora pode ser um problema!
Limites de Cheque Especial e Cartão de Crédito: Da mesma forma, limites do seu cheque especial e do cartão de crédito não entram na definição da sua receita mensal. Lembre-se: o crédito deve ser utilizado de forma consciente.
Cordiais Saudações,
MARCELO FERNANDO SEGREDO - http://marcelosegredo.blogspot.com/
Diretor Presidente
Associação Brasileira do Consumidor - ABC